Casa dos meus pais, 23 de Julho de 2006 (e que demora para escrever um novo post hein?)
“Alô você! Sim, é você mesmo!”
E não contentes com as cenas de explosões proporcionadas pelo vizinho Iraque, lá foi Israel brincar de guerra mais uma vez. “Ah, mas foi o Hisbolah que começou…” afirma Israel lembrando muitas das discussões de criança que certamente já presenciamos e/ou participamos. Qual a solução? “Retaliar o Hisbolah! Mas como?… Ah, eles estão no Líbano né, então vamos ver se temos sorte e matamos alguns dos terroristas, por tentativa e erro….”. Claro que não foi o que os israelenses disseram, mas pelos eventos da semana é o que parece…
Não sou nenhum especialista em táticas militares e entendo muito pouco da organização interna do Hisbolah, porém atrevo-me a dizer que, de longe, sair atirando mísseis pelo Líbano não é a melhor maneira d ecombater um grupo terrorista.
As constantes notícias de que prédios civis foram derrubados com a alegação de que supostamente haveria algum terrorista morando nele dá muito a entender que o que se está tentando fazer é na verdade fazer uma demonstração de poder bélico perante os nem um pouco simpáticos vizinhos que Israel tem. Tá bom, tá bom, lembrando um pouco da história dos conflitos lá já dá pra concluir isso. (Israel já venceu guerras lá em questão de dias tamanha a superioridade de seu exército)
Como seria então uma forma eficaz de combate a esse grupo terrorista? A resposta eu não tenho, porém acho que pensando um pouco conseguimos chegar aalgo que não dá resultado.
=> O grupo terrorista em questão tem alguma ligação com o Estado onde ele se abriga?
No Afeganistão, onde o Talibã se fez governo, temos um exemplo do que foi um grupo terrorista intimamente ligado ao Estado. No Líbano, o Hisbolah não tem (pelo menos declaradamente) o poder político, mas sim o poder militar por ser mais bem armado do que o exército nacional (que talvez por isso pouco possa fazer para combatê-lo). Então de que adianta atacar alvos tais como torres de transmissão para interromper as comunicações? Por acaso só terrorista usa telefone agora?
=> Eu tenho uma certa idéia de onde moram e por onde circulam esses terroristas, então posso tentar matá-los nessas situações?
Fazer idéia e tentar alguma coisa parece mais aluno tentando arrancar alguns pontos numa prova com a “idéia” que ele tem da resposta e não com uma decisão que envolve explosivos e algumas vidas que não têm culpa de serem vizinhos de pessoas suspeitas. Se a tal idéia foi construída com base em investigação do serviço secreto, era melhor fazer com que essas informações fossem confirmadas e o próprio serviço secreto dar um jeito nessa gente do que mandar um caça mandar um míssel para arrebentar tudo (correndo o risco do dito cujo ter ido tomar um sorvete uns dois quarteirões adiante bem no momento do ataque….)
=> Ah, mas esses civis inocentes que morrem nesses ataques são os “poucos” sacrificados em favor do bem de muitos.
Bela frase usada constantemente (e com aquele jeito de “olha como eu falo bonito”) pelos genocidas inrustidos. Um grupo terrorista resume-se a um grupo de pessoas que do nada resolvem sair fazendo atentados ou se auto-destruindo só para aparecer? Não! (se sua resposta foi sim, por favor, pare de ler isso aqui e vá assistir “Rebelde” ou outra coisa do gênero….) . Terroristas, principalmente os do Oriente Médio, são sujeitos que se reunem e partem para essas soluções extemas pois são defensores incondicionais de uma idéia, de uma causa, seja ela religiosa, política, relacionada com algum fato histórico, etc. Portanto, matar umas 50 pessoas de um grupo como esse e acreditar que isso foi um grande resultado é um grande equívoco, isso sim – enquanto o poder de influenciar pessoas (principalmente os pobres) estiver nas mãos do grupo, não faltará contigente para suas atividades. E pior, matando (ou não) 1 sujeito relacionado ao grupo e junto mais um monte que nada tinha com isso só faz aumentar as chances de que aquele moleque que provavelmente aparecerá na televisão chorando a morte dos pais, avós, colegas, irmãos, etc ser abordado de alguma forma por uma “célula” que, sem muita dificuldade, será tranformado em mais um potencial homem-bomba que no futuro poderá estar novamente sendo notícia, mas apenas pelo resultado de seu ato e não mais por suas lágrimas (isso supondo que não parta do próprio indivíduo procurar “alguém” que possa ajuá-lo a se vingar…).
De todo esse monte de coisas que escrevi e que talvez seja apenas uma coletânea de informaçõessem sentido, a que conclusão chegamos? Não estou me proclamando o “senhor que tem as repostas para os conflitos do mundo”, mas parece bastante claro que na vida tentar resolver problemas complexos através de atos visando a solução imediata quase sempre não levam a nada (e em muitos casos até pioram o problema). Parece que se encaixa nisso a situação de tentar acabar em dias com um inimigo que se organizou durante anos a ponto de adquirir força suficiente para desafiar um país e que conta.
Vale lembrar ainda que um grupo terrorista não é facilmente indicado em um mapa assim como um país, o que torna ainda mais difícil a tarefa de combatê-lo. Que o diga o sr. Bush filho…
A.
PS: estou com preguiça de reler o texto, pode ser que tenha ficado realmente ruim.
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